A noite estava sufocante no pequeno apartamento de Filipe e Patricia, o ar pesado com o calor úmido de um verão implacável. O ventilador de teto girava preguiçosamente, incapaz de competir com a temperatura que subia entre os lençóis bagunçados da cama de casal. O cheiro de sexo pairava no ambiente, misturado ao leve aroma de suor e ao perfume adocicado de Patricia, que parecia impregnado em cada canto do quarto. A luz fraca do abajur lançava sombras dançantes nas paredes, destacando os contornos dos corpos entrelaçados.
Patricia estava por cima, os cabelos escuros caindo em cascata sobre os ombros nus, os olhos brilhando com uma mistura de desejo e malícia. Seus movimentos eram firmes, controlados, ditando o ritmo com uma autoridade que fazia Filipe gemer baixo, as mãos agarrando os quadris dela como se sua vida dependesse disso. Cada estocada era um comando silencioso, um lembrete de quem estava no comando. O som dos corpos colidindo ecoava no quarto, pontuado por suspiros e o ranger ocasional da cama.
— Caralho, Patrícia… você me mata assim — murmurou Filipe, a voz rouca, os olhos semicerrados enquanto tentava acompanhar o ritmo implacável dela.
Ela riu, um som gutural e provocador, inclinando-se para frente até que seus lábios quase tocassem os dele. O calor do hálito dela roçou a pele dele, enviando arrepios por sua espinha.
— Mata? — zombou ela, arqueando uma sobrancelha. — Você não aguenta nem metade do que eu posso dar, amor. Quer que eu pare pra você respirar um pouco, coitadinho?
Filipe soltou um riso ofegante, as mãos subindo pelas costas dela, os dedos se enterrando na pele macia enquanto tentava puxá-la ainda mais para si.
— Nem ouse parar. Mas… — Ele hesitou por um momento, um brilho de curiosidade misturado com excitação cruzando seu olhar. — Eu tava pensando… quero saber uma coisa.
Patricia desacelerou de leve, apenas o suficiente para manter o controle, mas sem perder o domínio da situação. Ela inclinou a cabeça, os lábios curvados em um sorriso perigoso.
— Hmm, pensando? Isso é perigoso, Filipe. O que tá passando nessa cabecinha pervertida agora?
Ele engoliu em seco, sentindo o calor subindo ao rosto, mas a excitação parecia superar qualquer traço de vergonha. Seus olhos encontraram os dela, e ele falou, quase num sussurro:
— Me conta… como era transar com o seu ex? O Rafael, né?
O silêncio que se seguiu durou apenas um segundo, mas pareceu uma eternidade. Então, Patricia jogou a cabeça para trás e riu alto, o som reverberando pelo quarto. Ela não parou de se mover, mas agora havia um brilho ainda mais afiado em seus olhos, como se tivesse acabado de encontrar um novo brinquedo para se divertir.
— Meu Deus, Filipe, você é mesmo um safado, hein? — disse ela, a voz carregada de diversão e provocação. — Tá me pedindo pra te contar sobre outro cara enquanto eu tô aqui, te montando como uma rainha? Que tipo de homem é você, hein? Um corno curioso?
Ele riu, meio envergonhado, meio excitado, as mãos apertando os quadris dela com mais força.
— Vai, me chama de corno de novo. Eu gosto. E… sim, quero saber. Me conta. Como era?
Patricia mordeu o lábio inferior, claramente se deliciando com o poder que tinha sobre ele naquele momento. Ela se inclinou mais perto, os seios roçando contra o peito dele enquanto sussurrava no ouvido:
— Tá bem, seu tarado. Mas se você não aguentar ouvir, não vem chorar depois, hein? Porque o Rafael… ah, ele sabia o que fazia. — Ela fez uma pausa dramática, deixando as palavras pairarem no ar antes de continuar, a voz baixa e carregada de malícia. — Ele era bruto, sabe? Do tipo que não pedia permissão, só pegava. Me jogava contra a parede, me virava de costas e… bom, digamos que eu gritava o nome dele tão alto que os vizinhos batiam na porta.
Filipe gemeu, os olhos fechando por um instante enquanto as palavras dela o atingiam como um soco. Ele tentou responder, mas tudo que saiu foi um suspiro trêmulo. Patricia riu de novo, o som quase cruel, enquanto acelerava o ritmo, os movimentos dela agora mais intensos, como se estivesse testando os limites dele.
— O que foi, amor? Tá imaginando? Tá vendo na sua cabecinha suja como ele me fodia? — provocou ela, os lábios curvados num sorriso debochado. — Quer saber mais? Quer que eu te conte como ele me fazia gozar tão rápido que eu nem tinha tempo de pensar? Ou tá com ciúmes agora, seu corno?
— Porra, Patrícia… — conseguiu dizer Filipe, a voz entrecortada, os olhos abertos de novo, brilhando com uma mistura de desejo e incredulidade. — Você é foda. Continua. Me conta tudo.
Ela riu baixo, inclinando-se para morder de leve o lóbulo da orelha dele antes de murmurar:
— Tudo bem, mas só porque você tá implorando. Ele tinha um jeito de me pegar pelo cabelo, puxar com força enquanto me comia por trás. Eu ficava de quatro, toda entregue, e ele… ele não parava até eu tremer inteira. E sabe o pior? — Ela fez uma pausa, os olhos fixos nos dele, brilhando com pura provocação. — Às vezes, eu ainda penso nisso. Só pra te irritar.
Filipe soltou um gemido alto, as mãos apertando a cintura dela com tanta força que quase deixou marcas. Ele estava no limite, e Patricia sabia disso. Ela desacelerou de propósito, um sorriso cruel nos lábios enquanto o observava lutar para manter o controle.
— Tá gostando, né, seu pervertido? — disse ela, a voz doce e venenosa ao mesmo tempo. — Mas se segura aí. Se você gozar agora, eu nunca mais te conto nada. Vamos ver se você aguenta ser meu corno curioso por mais um tempinho.
— Você é o diabo em forma de mulher — retrucou ele, ofegante, mas com um sorriso nos lábios. — Eu aguento. Continua. Me mata de ciúmes, vai.
Ela riu novamente, o som ecoando pelo quarto enquanto voltava a acelerar, os corpos colidindo com uma intensidade que parecia desafiar a própria gravidade. Entre gemidos e provocações, as confissões continuaram, cada palavra de Patricia um golpe calculado para levar Filipe ao limite sem deixá-lo ultrapassá-lo. Ela era a mestra do jogo, e ele, um jogador mais do que disposto a se render.
Quando finalmente desabaram na cama, ofegantes e cobertos de suor, os dois riram juntos, o som misturando-se ao silêncio da noite. Patricia rolou para o lado, apoiando a cabeça no braço enquanto olhava para ele com um sorriso satisfeito.
— Você é um caso perdido, sabia? — disse ela, ainda rindo. — Mas olha… gostei disso. Quem sabe da próxima vez eu não traga mais histórias pra te deixar com esse olhar de cachorro pidão?
Filipe virou o rosto para ela, os olhos ainda brilhando com um misto de desejo e diversão.
— Promete?
— Só se você for um bom menino — retrucou ela, dando um tapinha leve no rosto dele antes de se virar de costas, deixando-o com um sorriso bobo no rosto e a promessa implícita de que aquele era apenas o começo de algo muito mais perigoso e excitante.
O calor no quarto parecia ter subido ainda mais, mas nenhum dos dois se importava. A noite estava apenas começando a revelar seus segredos.
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