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Desejo à Janela

Desejo à Janela

Capítulo 1: O Jogo da Tentação

Inês encostou-se à janela do seu pequeno apartamento, o olhar perdido no movimento caótico da rua em frente ao Inka. Os seus olhos azuis brilhavam com uma mistura de curiosidade e timidez, enquanto o cabelo castanho caía em ondas suaves sobre os ombros. Era uma princesa no seu castelo de betão, mas com um ego que a fazia sentir-se rainha de um mundo que ainda não compreendia. Do outro lado do prédio, Nuno observava-a, como fazia tantas vezes, com um sorriso torto nos lábios. Alto, de cabelo escuro e encaracolado, o corpo musculado a transbordar de uma energia bruta, os olhos castanhos sem vida escondiam um abismo de segredos. Ele era um predador, drogado nas suas próprias mentiras, infiel por natureza, manipulador por prazer. Mas, acima de tudo, era egoísta. E queria Inês.

Tinham começado a andar juntos há dois meses, um namoro feito de olhares furtivos e conversas carregadas de tensão. Ele insistia, noite após noite, com mensagens e sussurros ao ouvido, que queria levá-la para a cama. 'Quero-te, Inês. Deixa de ser tão santinha. Sei que também queres', dizia, com aquela voz rouca que a fazia tremer por dentro. Mas ela resistia, não por falta de desejo, mas por uma vergonha que a prendia como correntes invisíveis.

Naquela noite, ele apareceu à porta dela, sem aviso, com uma garrafa de vinho barato na mão e um brilho perigoso no olhar. 'Então, princesa, vais-me deixar entrar ou vais continuar a brincar às inacessíveis?' perguntou, encostando-se à ombreira da porta com um ar de quem já tinha ganho o jogo.

Inês cruzou os braços, erguendo o queixo com um misto de desafio e nervosismo. 'Nuno, já te disse que não estou pronta. Não é um jogo, é só... eu. Não me pressiones.'

Ele riu, um som baixo e provocador, enquanto entrava sem ser convidado, fechando a porta atrás de si. 'Não te pressiono, amor. Só te mostro o que estás a perder.' Aproximou-se, o cheiro a tabaco e colónia barata envolvendo-a como uma nuvem. 'Olha para mim, Inês. Achas que não vejo como me olhas? Como o teu corpo treme quando estou perto? Pára de lutar contra isso.'

Ela recuou um passo, o coração a bater descontrolado, mas o olhar não vacilou. 'Não sou um troféu para conquistares, Nuno. Se achas que me vais manipular com essas falinhas mansas, estás muito enganado. Eu decido quando e se alguma coisa acontece.'

Ele sorriu, os dentes brancos contrastando com a escuridão do seu olhar. 'Gosto disso. Gosto de te ver a tentar mandar. Mas sabes o que mais gosto?' Deu mais um passo, encurralando-a contra a parede, as mãos apoiadas de cada lado da cabeça dela. 'Gosto de saber que, no fundo, estás tão cheia de vontade como eu. Estás só a fazer-te de difícil.'

Inês sentiu o calor do corpo dele, a respiração quente no seu pescoço, e uma onda de desejo traiçoeiro percorreu-a. 'Estás tão convencido, não estás? Achas que sou uma miúda parva que cai nas tuas cantigas?' A voz dela era afiada, mas tremia ligeiramente, denunciando a luta interna.

'Não acho que sejas parva. Acho que és uma mulher que sabe o que quer, mas tem medo de o admitir.' Ele baixou a cabeça, os lábios a milímetros dos dela, o tom de voz um murmúrio sedutor. 'Deixa-me mostrar-te como pode ser bom, Inês. Só uma vez. Se não gostares, paro. Prometo.'

Ela engoliu em seco, os olhos fixos nos dele, sentindo o corpo a ceder mesmo contra a sua vontade. A vergonha ainda a segurava, mas o desejo começava a gritar mais alto. 'Nuno...', começou, mas ele interrompeu-a com um beijo, lento e provocador, que a fez esquecer as palavras. As mãos dele deslizaram para a cintura dela, puxando-a contra si, e ela sentiu o quanto ele a queria, duro e insistente contra o seu corpo. O calor subiu-lhe às faces, o coração a galopar, enquanto a mente girava entre o 'não' e o 'sim'. Ele murmurou contra os lábios dela, 'Diz-me que não queres, e eu paro. Mas sei que estás molhada por mim, princesa.'

A tensão no ar era palpável, os corpos colados, a respiração ofegante. Inês sabia que estava a um passo de se render, mas ainda havia uma faísca de controlo dentro dela. Será que se deixaria levar por este homem perigoso, ou conseguiria manter as rédeas do jogo?

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